[Mochilão 15] Dia 2: Vancouver

O vôo da Air Canadá até Toronto levou 10h. Achei o serviço de bordo bom, mas nada excepcional.




Uma coisa boa era o espaço entre as poltronas, maior do que normalmente se encontra na classe econômica. Os comissários eram todos homens, e alguns comissários falavam português (com sotaque lusitano).  O ponto negativo foi o sistema de entretenimento, que tinha uma seleção fraquíssima de filmes.

Minhas preces para a Nossa Senhora da Poltrona Vazia deram certo. Viajei na poltrona do corredor, e a poltrona ao lado (aquela do meio, que ninguém nunca quer) não viajou ninguém. Fiquei com bem mais espaço para esticar as pernas e tentar tirar um cochilo.

O pouso em Toronto foi às 5h da manhã, hora local (-1h de fuso). Ainda estava escuro.

A grande vantagem desse vôo da Air Canada é que ele é direto, e por isso eu não precisei fazer conexão nos EUA. Como meu visto americano está vencido, eu teria que desembolsar mais USD 160,00 para renová-lo.

No aeroporto de Toronto já percebi, logo de cara, que o Canadá é um país multicultural. Os funcionários eram quase todos indianos, chineses ou de outras etnias.

Antes de fazer a conexão para Vancouver, eu precisava passar pela termida imigração canadense.

Ao chegar no guichê, a policial perguntou o motivo da viagem, se eu tinha família no Canadá, e se eu conhecia alguém morando lá. Ela escreveu um código estranho no formulário de imigração (aquele que eles dão no avião para preencher), e me liberou. Achei estranho que ela não carimbou meu passaporte. Peguei um corredor em direção a esteira de bagagens, e no caminho uma policial pedia para ver o formulário de imigração dos passageiros que passavam. Alguns ela mandava entrar numa outra sala.  E foi o que aconteceu comigo. Eu fui mandado para a famosa "salinha", também conhecida como "malha fina". Tenso. Essa sala era parecida com o controle de passaportes por onde havia passado minutos antes: tinha uma fila única e diversos guichês onde ficavam os policiais. Chegou a minha vez, respirei fundo e fui.

- It's your first time here, right? - perguntou o policial, me olhando com uma cara de poucos amigos.


Depois continuou a sabatina perguntando um moooonte de coisas: motivo da viagem, minha profissão no Brasil, em quual empresa eu trabalho,  se eu já viajei para outros países antes, quando foi minha última viagem para o exterior, o itinerário da viagem, por que escolhi o Canadá, se eu conheço alguém no país, onde eu ia me hospedar, valor da diária, quanto eu estava levando de dinheiro em espécie, se eu já tinha pago as diárias ou se elas estavam apenas reservadas, se eu estava viajando sozinho, onde eu aprendi inglês, se eu tinha um cartão de crédito, quantos dias eu ficaria viajando...e por fim, pediu para ver a passagem de volta. Esses policiais de imigração são treinados para fazer as perguntas de maneira meio ríspida, e deixam as pessoas meio tensas. No final, ele parece que se convenceu de que eu era um mero turista, e não um terrorista ou alguém querendo imigrar ilegalmente. Disse que eu era "a good person" e que eu fazia aniversário no mesmo dia que ele. Pronto, carimbou meu passaporte e me liberou. Saí de lá aliviado em direção às esteiras de bagagem.

Já tinha ouvido falar que a imigração em Toronto é tensa, mas não imaginava que fosse tanto. Foi simplesmente a pior experiência que já tive ao chegar num país. Conseguiu superar a imigração em Tel Aviv e Tóquio, que também foram tensas.

Ouvi dizer que a imigração em outras cidades como Quebec e Montreal é bem mais tranquila que em Toronto.

Peguei meu mochilão, e na saída do setor de desembarque havia uma policial pedindo para ver o cartão de imigração. Ao olhar o meu, ela me mandou para uma sala ao lado (de novo não !!!) onde era feito o controle alfandegário. A sala tinha umas máquinas enormes de raio-x.

- You're coming from Brazil, right? - perguntou o policial, como quem pergunta "Você sabe que não é bem-vindo aqui, né?"

E começou mais uma sabatina, perguntando coisas que já haviam sido perguntadas antes no controle de passaporte: o motivo da viagem, por que eu tinha escolhido o Canadá, minha profissão no Brasil, se eu tinha planos para visitar lugares no Canadá, etc. Depois, pediu para eu colocar a mochila na máquina de raio-x, e perguntou se eu tinha facas dentro dela (!!).  Eu disse que tinha uma conexão para Vancouver em poucos minutos, e que precisava correr para não perder o vôo. Ele recolheu o cartão de imigração e me liberou rapidamente sem fazer mais perguntas.

Foi uma experiência bastante desagradável passar por isso logo na chegada do país. Acho que o governo canadense poderia rever isso, levando-se em conta que para tirar o visto já é necessário provar muitas coisas, e muitas das perguntas já haviam sido respondidas no site ao solicitar do visto. Se eu voltar algum dia ao Canadá, a entrada será por outra cidade, jamais Toronto.

Fiz novamente o checkin para despachar minha mochila e corri para pegar o voo para Vancouver, que acabou atrasando 1h.

A decolagem foi às 8h da manhã:


O avião era um Boing 777 enoooorme e estava bem vazio. O comandante avisou que houve um problema com a aeronave anterior, e tiveram que trocar o voo para essa. Foi ótimo, porque sentei na janela e as duas poltronas ao lado estavam vazias. Dava até pra viajar deitado. Aliás, boa parte dos passageiros teve a mesma idéia, hehehe.

Sobrevoando os grandes lagos:



Algo que achei absurdo é a Air Canada cobrar por refeição num voo de 4:30h de duração !! Sem noção !! Eu já estava com fome, os preços a bordo eram astronômicos. Um sanduíche de frango bem chinfrim custava $7,50 (R$20). Resolvi segurar um pouco a fome para comer no aeroporto de Vancouver.

Chegando em Vancouver: 


 Aterrisando em Vancouver:


Cheguei em Vancouver às 10h da manhã (-4h de fuso).

O setor de desembarque do aeroporto de lá é muito legal, cheio de totens indígenas:







Depois de pegar meu mochilão, fiz um pit stop estratégico na 7-Eleven do aeroporto para comer alguma coisa.

Suco de kiwi com maçã, sanduíche natural e doughnuts por $8.20 (R$22).





Passei num balcão de informações turísticas e peguei um mapa da cidade:


Ao sair do aeroporto, bateu um vento congelante. Fazia 10 graus.


Comprando a passagem de metrô na estação do aeroporto ($9 = R$24).



Depois de mais ou menos 20 minutos no metrô, desembarquei no centro da cidade (estação City Centre).

Minha primeira impressão do centro de Vancouver foi a de estar em algum pedaço de Manhattan. Barracas de cachorro-quente e food trucks na calçadas em meio a arranha-céus com vidros espelhados e lojas de departamentos enormes. Pessoas de várias etnias diferentes, falando idiomas diferentes, passavam apressadas pelas calçadas.








Caminhei algumas quadras pela Granville Street, uma das principais ruas do centro da cidade, em direção ao hostel. Esta parte do centro tem prédios mais baixos e é o principal "pico" boêmio de Vancouver, com uma infinidade de bares, boates e restaurantes.


 O Samesun Backpackers Hostel:


Recepção:



A diária em quarto compartilhado com 4 camas custou $44,50 (R$119).





Depois de fazer o checkin, tomei um banho e fui dar a primeira volta pelas redondezas. Fui caminhando em direção ao Waterfront, como é conhecida a antiga região portuária que foi revitalizada.




Me chamou a atenção a grande quantidade de mendigos no centro. Até mesmo no primeiríssimo mundo esse problema existe.  Entretanto, não vi crianças mendigando, nem adolescente grávidas, como é comum ver no Brasil. Os mendigos tinham todos cara de drogados, e nenhum tinha cara de imigrante. Para um cara pra virar mendigo no Canadá, um país que dá tantas oportunidades, só vejo as drogas ou o alcoolismo como explicação.


Food truck de comida mexicana:


Waterfront Street:



Estação ferroviária de Waterfront:






Uma praça no Waterfront com vista para a Baía de Vancouver:


Já era meio-dia e "esquentou" um pouco (16 graus).  Algumas pessoas com roupa de trabalho sentavam nos bancos na praça para almoçar e aproveitar sol.





Catamarã que faz a travessia para North Vancouver, a "Niterói" de lá, do outro lado da Baía de Vancouver:




Canada Place, um centro de convenções de frente para a Baía de Vancouver:


No local também há um terminal de cruzeiros:









Vista da Baía de Vancouver:


Do outro lado fica North Vancouver e as Montanhas Rochosas:



Navio de cruzeiros à esquerda e os prédios do centro da cidade ao fundo:


Centro de Vancouver visto da Canada Place:


Vancouver Convention Centre:



Hidroaviões. A todo momento decolava um desses:


Montanhas com um pouco de neve no topo:


Uma praça com mesas coloridas: 


Loja vendendo produtos da Polícia Montada, um grande orgulho dos canadenses:



Esse prédio alto com um mirante em cima é o Vancouver Lookout:


Na bilheteria do mirante (no térreo) havia um painel onde estava escrito "admission $16.25". Paguei com o dinheiro trocado, mas a simpática recepcionista explicou que o valor a ser pago era $17 (R$45,50).

- I know, it's annoying to always add taxes - disse ela, explicando que o imposto sobre vendas no Canadá nunca é incluido nos preços.

Ela perguntou de onde eu sou, e quando disse Brasil, fez a maior festa: "wow! Braziiiiil!! cool!"


Subindo no elevador panorâmico:



O mirante no topo do prédio, a 150m de altura:





O bairro de Gastown, com ruas de paralelepípedo e prédios antigos, foi onde a cidade nasceu.





Loja de souvenirs com a bandeira do Brasil. Vi muitos brasileiros pelas ruas da cidade.




Esse relógio movido a vapor, do século 19, é um dos ícones de Vancouver:




O Triangular Building:


Esse edifício não tem nada demais, mas parece ser bem famoso, porque tinha um monte de gente tirando foto dele:



Nas ruas de Vancouver vê-se uma grande quantidade de chineses, entre imigrantes e turistas. Como toda grande cidade cosmopolita, Vancouver também tem uma Chinatown:


Placas em inglês e chinês:




Jardim Chinês Sun Yat-Sen:



Numa praça perto de Chinatown vi um cena bizarra: uma praça repleta de drogrados com uma aparência suja, meio mendigos, meio zumbis. Parecia cena do Walking Dead. Devia ter umas 40 criaturas lá, e eles estavam fumando algo que provavelmente era crack. Deve ser a cracolândia de Vancouver. Um carro de polícia passou devagar pela rua e eles não deram a mínima.  Apesar disso, o lugar não me pareceu perigoso. Vi mulheres e idosos andando sozinhos pelas calçadas indiferente à cena. Já tinha visto algo semelhante em São Francisco.

Este é o Roger Arena, que foi o estádio olímpico dos Jogos de Inverno de 2010. Hoje é o estádio do Vancouver Canucks, o principal time de hóquei sobre gelo da cidade.







O badalado bairro de Yaletown, onde antigos armazéns foram transformados em bares e restaurantes da moda:


False Creek, um canal próximo ao centro da cidade:


Ao longo do False Creek há uma orla linda com um calçadão, ciclovias, parques e edifícios residenciais. É uma das regiões mais caras e nobres da cidade.





Vila Olímpica dos Jogos de Inverno de 2010, transformada em edifícios residenciais:


Prédios residenciais e o globo prateado do Science World, um museu de ciências:


O Rogers Arena visto do outro lado do False Creek:


Cadeiras públicas:


Aquabus, um barco que liga diferentes pontos do False Creek:


Edifícios residenciais ao longo do calçadão do False Creek. O que impressiona é que os apartamentos do térreo não tem nenhum tipo de grade de proteção, evidenciando a segurança absoluta:



Restaurante na beira do False Creek:


Marina no False Creek:



O sol que estava fazendo quando saí do hostel foi embora, encoberto por nuvens negras. Não demorou muito para começar a chover. Vancouver é conhecida pelos brasileiros como "Vanchouver" e pelos canadenses como "Raincouver" por causa das constantes chuvas.

O engraçado foi que, apesar da chuva ter apertado, muitas pessoas continuaram caminhando pelo calçadão como se nada estivesse acontecendo. Cobriram apenas a cabeça com o capuz do casaco.





A chuva deu uma reduzida e corri para pegar o metrô ($2,75 = R$7,30)

Parei para comer um kebab perto do hostel ($9,44 = R$25,30):





Vancouver tem várias cervejarias excelentes. Uma das mais famosas é a Steamworks, que fica no Waterfront:



Começou a escurecer por volta das 21h e resolvi voltar pro hostel:


Era uma sexta-feira e eu estava louco pra sair a noite, mas eu estava virado, porque não tinha conseguido dormir no vôo. Além disso, estava andando por 10 horas seguidas. Estava exausto. Eu sabia que era um pecado mortal dormir em dólar, mas como eu estava sozinho, não tinha um amigo para dar aquela incentivada e dizer "Pô, sexta-feira !! Partiu !! Dormir, dorme no Rio em real, não aqui em dólar !!!". Minhas pernas estavam implorando desesperadamente por uma cama quentinha e aconchegante. Então é isso, fui dormir.

4 comentários:

  1. Aheeeeeee! Já tava preocupado com a demora!
    Muito bom! No país do hóquei no gelo!

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    1. Tô vivo! Sobrevivi! hehehe! Tinha parado de blogar por pura falta de tempo, mas agora vai!!

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  2. Cara, eu realmente estava preocupado contigo por demorar tanto para contar a sua viagem. Que bom que tudo vai bem contigo.

    Uma amiga minha que vai sempre à Toronto disse que um policial da imigração pegou no pé dela pois a foto era antiga e ela fez plástica no nariz. Muita sinistra esta imigração, e de que adianta este controle todo, deve haver centenas de milhares de ilegais por lá.

    Eu pensava que Vancouver era mais europeia, mas, pelo visto, parece mais uma Austrália mais fria. Mesmo assim gostei bem do que você visitou e fotografou. Aquele museu de ciências deve ser o bicho.

    Estive por dezessete dias com minha namorada em Berlim. Melhor custo/benefício entre as vinte e cinco cidades europeias que visitei. Almoçava falafel ou yakisoba por três euros ou menos. Fui em dezesseis museus e conheci Potsdam, Oranienburg, Leipzig e a maravilhosa Dresden. Tirei 2500 fotos e fiz 580 vídeos. Vou levar meses para publicar tudo. Dê um pulinho no meu blog, de vez em quando.

    A enorme quantidade de mendigos em Berlim eu vejo exatamente com a mesma explicação que você deu para Vancouver. Coisa de junkies.

    Um abraço.

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    1. Fala Enaldo! Vou continuar com os posts dessa viagem a partir de agora. As Olimpiadas tomaram todo meu tempo livre nas últimas semanas. Estava indo em jogos praticamente todos os dias, hehe!

      Pois é, a imigração em Toronto tem uma fama terrível, e pude comprovar isso.

      Vancouver é sensacional!

      Berlim é realmente incrível, e surpreende pelo baixo custo. Que bom que curtiu. Oranienburg, Leipzig e Dresden não conheci. Vou conferir no seu blog.

      Abs.

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