[Mochilão 13] Dia 11: Phnom Penh-Siem Reap

Acordei cedo, às 8h. O café da manhã foi no quarto do hotel com o que tinha sobrado: pão com queijo, suco de tamarindo e chips de taro (inhame-dos-açores).

Peguei um tuc tuc para conhecer o Campo de Extermínio de Choeung Ek, localizado numa área rural da cidade a 14 Km do hotel.

Negociei o valor de US$20 ida e volta com os motoristas que estavam parados em frente ao hotel. Reparei que eles ficaram disputando quem iria me levar. Essa é a corrida dos sonhos dos motoristas de tuc tuc da cidade, porque é o local turístimo mais distante do centro.


Crianças vendendo colares de flores num sinal:


A periferia de Phnom Penh é muito pobre, com casas simples e muita sujeira. Passamos por viadutos sobre canais poluídos e um cheiro de esgoto terrível. O motorista até tampou o nariz nesses trechos.




Campos de arroz:


Estrada na zona rural da cidade:


Chegamos, depois de cerca de 40 minutos, à entrada do Choeung Ek. O motorista ficou me esperando do lado de fora. O ingresso custou US$6, e deu direito a um audioguide, que descreveu com riqueza de detalhes as coisas macabras que aconteram neste lugar 40 anos atrás.


Este foi um dos cerca de 300 campos de extermínio que existiram no Camboja durante o governo comunista do Khmer Rouge. Entre 1975 e 1978 foram executados no local cerca de 17 mil homens, mulheres e crianças. Em todo o país, aproximadamente 2 milhões de pessoas (25% da população na época) foram executadas ou morreram vítimas de fome, doenças ou maus tratos. Os motivos alegados pelo Khmer Rouge para as prisões e execuções eram exdrúxulos: ser intelectual ou ter especialização profissional, ser empreendedor, falar línguas estrangeiras, fazer contatos com países estrangeiros, ser de etnia tailandesa ou chinesa, levantar qualquer suspeita de ser opositor do regime ou de demonstrar ter um estilo de vida capitalista. É um lugar triste, mas que serviu para entender melhor o que o Khmer Rouge foi capaz de fazer com o povo cambojano.

Uma ilustração mostrando os prisioneiros recém-chegados ao campo de extermínio. Eles ficavam amontoados numa cela coletiva até serem executados pelos soldados:


Valas coletivas onde anos depois foram encontrados milhares de ossos:



Restos de roupas:


Um memorial em homenagem aos que perderam a vida neste local:


Crânios de crianças no memorial:


Facas, machados e bastões que eram usados para executar os presos. Por uma questão de economia de dinheiro, os soldados não utilizavam armas de fogo.


Na saída, crianças pobres pediam esmolas aos turistas que embarcavam nos tuc tucs. 

Custei a encontrar qual era o meu tuc tuc entre tantos outros que estavam estacionados lá também aguardando seus passageiros para voltar para a cidade. Como o combinado era pagar a corrida somente no final, seria má fé minha se eu pegasse algum outro tuc tuc para voltar e deixasse o cara que me levou lá me esperando. Dei várias voltas até conseguir encontrá-lo. Na verdade, foi ele que me reconheceu, porque os motoristas eram todos parecidos fisicamente. 

Quando chegamos ao hotel e fui pagar a corrida, o motorista malandrinho quis me cobrar mais. Ficou só na vontade. Paguei o que havia combinado antes (US$20), dei as costas e entrei no hotel. 

Peguei minha bagagem e fui para o terminal da empresa Giant Ibis, onde embarquei no ônibus rumo a Siem Reap. A passagem custou US$15. 




O ônibus era muito bom e tinha ar condicionado. Um "comissário de bordo" serviu um lanche aos passageiros durante a viagem e anunciou no microfone as paradas que fizemos no caminho. Paramos duas vezes.

O trajeto até Siem Reap durou cerca de 7h (320 Km). O ônibus ia devagar porque a estrada era ruim e tinha inclusive trechos de terra.


A estrada no início foi acompanhando o rio Mekong. O interior do Camboja é muito pobre. As casas eram todas muito simples, feitas de madeira, e os pisos eram elevados em relação ao solo para evitar problemas com inundações.


O Camboja ainda é um país predominantemente rural. 80% da população vive no campo.


Ponte sobre o Rio Mekong:


Palafitas no rio:


A medida que adentrávamos o empoeirado interior do país, a estrada piorava. Alguns trechos eram de terra, e outros estavam em obra para alargamento da pista. Passamos por dentro de pequenos vilarejos miseráveis, que lembram as regiões mais pobres do sertão nordestino no Brasil.

Houve um momento que o ônibus teve que parar por causa de vacas que estavam atravessando a pista.


A primeira parada que fizemos no caminho para um lanche:



Cachorro quente com fritas e milk shake de morango por US$6,75. Preço "pra gringo", mas era o que tinha no meio daquele sertão empoeirado.


Cheguei em Siem Reap já de noite (19h). Esta é a cidade-base para explorar os templos de Angkor, a principal atração turística do país.

Peguei um tuc tuc do terminal da Giant Ibis até o Mad Monkey Hostel (US$2). Ao chegar lá, encontrei com o Ronaldo, amigo meu do Rio que estava mochilando na Ásia também. 

A diária no quarto duplo saiu por US$10 para cada um. 


Esse hostel era show de bola. Tinha piscina e um "Beach Bar" no terraço com chão de areia, gente descalça e jeitão de bar praiano, ainda que o mar estivesse a centenas de km de distância.

Na parede, uma frase que tem tudo a ver com essa aventura asiática:


Fomos jantar num restaurante na Pub Street, a rua que concentra os bares e restaurantes da cidade.




O cardápio tinha carnes exóticas como crocodilo e rã. Comi um "fried noodles with chicken". Com o refri a conta deu US$4.


Pelas ruas da cidade só se viam turistas estrangeiros. Os cambojanos estavam todos trabalhando no comércio, bares, hotéis, restaurantes ou dirigindo tuc tucs. Por causa da pobreza no país, o turismo doméstico deve ser pequeno no Camboja.

Uma coisa boa daqui é que as pessoas em geral falam inglês, ainda que com alguma dificuldade. Os cardápios todos tem versão em inglês. Isso ajuda muito a vida dos turistas, já que o idioma khmer é complicadíssimo, com um alfabeto indecifrável.

Entramos no Temple Club. Entrada gratuita.


Chopp Anchor por US$1,25.


O local estava cheio de turistas ocidentais:


Estava meio fraco por lá e fomos embora antes das 2h da manhã.

Na saída, os motoristas de tuc tuc se aproximavam da gente e ficavam perguntando, de maneira discreta, se queríamos "hash", "cocaine", e "beautiful girls".  Fomos abordados por vários deles no caminho de volta pro hostel.

Um comentário:

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