[Mochilão 13] Dia 10: Phnom Penh

O café da manhã foi no meu quarto com as compras que fiz ontem no supermercado: tamarindo, suco de aloe vera e sanduíche com queijo.  

Saí para dar uma volta pela cidade e conhecer os pontos turísticos. 

Estava um calor absurdo na rua. Muito abafado. 

As ruas da cidade são todas numeradas e também tem nomes, que são mostrados nas placas em alfabeto khmer e romano: 


É comum ver fotos gigantes do rei do Camboja espalhadas pela cidade:


Vi estas pequenas conchas sendo vendidas por vários camelôs pela cidade. Seriam mexilhões ?



Frutas estranhas:


Outdoor em frente a uma clínica:


Os tuc tucs do Camboja são diferentes dos indianos. Aqui eles são rebocados por uma moto, e tem mais espaço para os passageiros. Vi alguns transportando até 6 pessoas. Quase não se vê ônibus ou qualquer outro tipo de transporte publico nas ruas. Taxi também quase não vi. A grande maioria das pessoas se deslocam de tut tuc e moto. Tem muito mototaxi também.


Vida de pedestre no Camboja também é complicada como na Índia. As calçadas são constantemente bloqueadas por carros estacionados ou por estabelecimentos comerciais. Os pedestres acabam andando pela rua mesmo.




Phnom Penh tem poucos edifícios altos. A maioria das construções são baixas, com no máximo 4 andares:




Riquixás:


A população aqui é muito jovem. Isso é bem perceptível nas ruas da cidade. Quase metade dos 15 milhões de cambojanos tem 22 anos ou menos. Vi poucos idosos. É muito comum ver grupos de crianças andando sozinhas pelas ruas. Achei também que tem bem mais mulheres que homens aqui. Na Índia era exatamente o contrário, muito mais homens que mulheres. A guerra civil e do genocídio promovido pelo Khmer Rouge (governo comunista) há 40 anos causou estes desequilíbrios na demografia do país.


Aqui pelo menos comecei a me sentir um terráquio de novo. Ninguém ficava mais me olhando na rua com cara de espanto como se eu fosse o ET de Varginha, como acontecia na Índia o tempo todo. :-)

Propaganda de um dos muitos "Ladies Bars" que tem aqui. Nestes lugares, mulheres cambojanas muito novas oferecem seus serviços a europeus e americanos ciquentões e sessentões. A pobreza do país e a falta de oportunidades para os jovens empurra muitas mulheres cambojanas para a prostituição.


O gesto de agradecimento local:


A parte mais nobre da cidade fica às margens do rio Tonlé Sap, onde concentram-se apartamentos de luxo, hotéis, bares e restaurantes refinados. Tem até um cassino.


Calçadão às margens do rio:


O rio parecia ser meio poluído e tinha muito lixo nas margens:


Pobreza nas ruas e crianças brincando em meio ao lixo:


Crianças pedindo esmola a turistas:


O Wat Phnom é um templo budista no alto de uma colina. O ingresso custou US$1.



Incensos acesos num pequeno santuário na porta do templo:


O interior do templo, onde era necessário entrar descalço:




Dinheiro como oferenda para Buda:


Painéis na parede do templo:




Mulher rezando num santuário do lado de fora do templo:


Cartaz na porta do templo:


Peguei um tuc tuc para ir ao National Museum. A corrida custou US$2.



Tuc tuc transportando monges budistas:



Palmeiras às margens do rio:


Enquanto estava tirando estas fotos às margens do rio, parou um tuc tuc, e o motorista desembarcou com um catálogo de atrações turísticas na mão querendo me oferecer city tours. Eu disse não, e ele continuou insistindo e vindo atrás de mim, virando a minha "sombra" durante alguns minutos. Isso aconteceu muitas vezes na Índia, mas no Camboja foi a primeira vez. Achei o assédio ao turista no Camboja mais light que na Índia. 

Entrei no Museu Nacional. O ingresso custou US$5. Na porta haviam amputados por minas terrestres pedindo esmola.


O museu tinha um acervo pequeno. Muito quente dentro dele (não tinha ar condicionado !!)

Estátua de Ganesh (um deus hindu). O hinduísmo e o budismo eram as religiões predominantes na região durante a Idade Média. Atualmente 96% da população do Camboja é budista, e o hinduísmo praticamente desapareceu daqui.


Dançarinas de Apsara, a bela dança tradicional do Camboja:




Rei do camboja, Norodom Sihamoni, junto com dançarinas. Ele foi durante muitos anos instrutor de Apsara.


Jardins internos do museu:


Um painel em frente ao Palácio Real com a foto do rei:


O Museu fica ao lado do Palácio Real. O ingresso do palácio custou US$6,25. Havia acabado de chegar alguns ônibus de turistas e a fila na bilheteria estava grande. Vários cambojanos furaram a fila para desespero dos turistas.


O mapa do complexo, que tem vários pavilhões e templos budistas. O acesso ao palácio real propriamente dito e às dependências que são utilizadas pela família real é proibida aos visitantes.


O Silver Pagoda, principal templo budista do local:



Os visitantes não podiam entrar no templo, e se acotovelavam nas portas para ver o interior.


Não podia tirar foto do interior do templo, mas baixei da internet a imagem do Buda feita de ouro maciço (90kg) e adornada com diamantes. 


Um pavilhão que servia para apresentações de dança khmer (apsara):


Este pequeno templo tinha a estátua de uma vaca no interior:




Um outro templo escondido em meio as árvores:


Buda:


Templo do Buda de Esmeralda:


Não era permitido tirar foto dentro dele, mas baixei da internet:


Uma maquete do Angkor Wat, o maior templo do mundo, localizado na cidade de Siem Reap:


Pátio interno do Palácio Real:


Crianças fazendo suas preces para Buda:


Estátua de um elefante branco (albino). Eles são considerados sagrados aqui.


O rei Norodom Sihanouk (pai do atual rei) quando foi coroado em 1941:


Comprei um sorvete e aprendi minhas primeiras expressões em khmer com a simpática vendedora: "suá s'dei" (oi)  e  "aw koon" (obrigado).

Peguei um tuc tuc para ir ao Tuol Sleng, outro museu um pouco mais distante.


A corrida saiu por US$3. Paguei em notas de riel (12.000).


Quando paramos num sinal, o motorista olhou pra trás e falou num inglês primitivo "we can fuuuuuul" ou algo assim. Depois de pedir para ele repetir várias vezes, consegui entender: ele queria dizer "be careful", para eu ter cuidado com os meus pertences. Apesar disso, não vi perigo nenhum por lá. 

O Tuol Sleng Museum (entrada US$3) era uma escola até 1975, quando foi convertido pelo Khmer Rouge  na temida S-21, uma prisão onde detentos eram torturados e mortos. Era a maior prisão do país na época.


Após tornar-se independente da França em 1953, o Camboja estava inserido no contexto da Guerra Fria e envolveu-se na Guerra do Vietnã.  O Khmer Rouge (rebeldes comunistas), com o apoio do Vietnã do Norte (comunista) assumiu o comando do Camboja ao ocupar Phnom Penh em 1975, pouco antes do exército do Vietnã do Norte vencer a guerra ao ocupar Saigon, a capital do Vietnã do Sul (capitalista). O rei e a família real foram presos.

Os cambojanos viveram anos de terror depois disso. Sob a liderança de Pol Pot, a versão local de Adolf Hitler, os comunistas do Khmer Rouge implementaram um dos regimes mais sangrentos que a humanidade já presenciou. Foi decretado o "Ano Zero" e a criação de um estado comunista utópico. O dinheiro foi abolido. Escolas e hospitais foram fechados. Templos budistas foram destruídos. As pessoas foram forçadas a abandonar as cidades e migrar à força para o campo. As fronteiras do país foram fechadas. O país foi transformado numa imensa cooperativa agrária onde homens, mulheres, crianças e idosos eram submetidos a trabalhos forçados. Pessoas que tinham alguma qualificação (médicos, engenheiros, professores, intelectuais, etc) ou que falassem línguas estrangeiras eram considerados "inimigos" e eram presos, torturados e assassinados. Foram suspensas as importações e ajuda externa. Sem médicos, hospitais e remédios, milhares morreram de doenças. Pessoas inocentes eram torturadas e forçadas a confessar crimes que não haviam cometido.  Entre 1975 e 1979 cerca de 2 milhões de pessoas (25% da população do país na época) foram assassinadas pelo Khmer Rouge ou morreram de maus-tratos, fome ou doenças.  O regime foi deposto em 1978 quando o Vietnã invadiu o país. 

Quem vê hoje a alegria espontânea dos cambojanos, pessoas muito simples mas sempre sorridentes e de alto astral, não imagina que eles passaram por tanto sofrimento.  

Na entrada da prisão, uma placa estabelecia regras exdrúxulas, como "não chorar enquanto tomar choques ou golpes de bastão" (?!)


No início os mortos eram enterrados em valas comuns no pátio do colégio. Com a falta de espaço, posteriormente ele eram levados para campos de extermínio, onde eram assassinados e enterrados.


Pátio do colégio:


Arame farpado para impedir fugas:


As salas de aula foram convertidas em selas. Algumas eram selas individuais e outras coletivas, onde ficavam até 50 presos, obrigados a ficar deitados o tempo todo no chão.


Havia ainda as solitárias, celas minúsculas:




Pol Pot, a face mais cruel do ser humano:


Mapa ostrando as rotas de evacuação forçada da população para o campo:


Crianças sobreviventes da prisão após a queda do regime:


Campos de trabalhos forçados:


Foto de habitantes de Phnom Penh deixando a cidade em direção ao campo em 1975. O regime comunista prometia que a "revolução" traria uma vida melhor para os cambojanos no campo, o que explica os sorrisos  das pessoas.




Mulher tentando escapar do país na fronteira com a Tailândia:


Crianças obrigadas a trabalhar no campo:



Um preso acorrentado à cama:


Fotos de crianças que foram presas e mortas:



Métodos de tortura utilizados na prisão:


Água salgada em ferimentos:


Tortura por afogamento, com o preso pendurado de cabeça para baixo:


Peguei um tuc tuc de volta para o centro da cidade (US$3).

Psar Thmei (Mercado Central):


Durian, uma fruta semelhante a jaca com um cheiro muito forte:


Frutos do mar vivos:


Comidas estranhas sendo vendidas nas barracas:


Muitas moscas:


Um pequeno santuário budista com música dentro do Mercado Central:


Vídeo que gravei da música no santuário budista:


Catadores de lixo do lado de fora do mercado:


Jantei num restaurante coreano no shopping, o Honey Bee Chicken:



Sopa de entrada:


Frango grelhado com purê de batata. O frango estava com um molho muito bom !! Acho que foi o frango mais gostoso que já comi.


A conta deu US$10. 

Voltei pro hotel e fiquei vendo um pouco de TV antes de dormir. 

Um canal mostrava a bela dança clássica khmer, a apsara:


O funk, quem diria, chegou ao Camboja também:


Um outro canal mostrava música khmer com legenda para karaokê:


Um comentário:

  1. Pol Pot conseguiu ser mais sádico do que Stálin e Mao-Tsé-Tung. O impressionante é que ainda não há uma grande biografia sobre o tirano cambojano.

    Achei o Camboja mais interessante do que a Índia, pelo seu relato.

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