[Mochilão 10] Dia 15: Brașov - Tel Aviv

Tinha colocado tampão de ouvido (daquele de espuma, que é vendido em farmácia) para dormir melhor. Barulho é algo que pertuba demais meu sono. No Rio, moro num apto de frente para uma esquina movimentada que tem um barulho infernal de ônibus, motos e buzinas até de madrugada, e sem usar tampão eu simplesmente não durmo. Nos quartos dos albergues, às vezes chega gente de madrugada fazendo barulho, abrindo mochila, mexendo em saco plástico, e tem ainda os que roncam alto, por isso considero o uso de tampão de ouvido obrigatório para dormir bem. O problema é quando é preciso acordar cedo. Tampão não combina com despertador. Eu precisava acordar cedo, e como estava cansado, também queria dormir bem, sem nenhum barulho ou ronco me incomodando. Resolvi arriscar: coloquei o relógio para despertar às 7h e coloquei os tampões no meus ouvidos. O óbvio aconteceu: não escutei o relógio despertando, e dei um pulo da cama às 8h. Tive sorte, porque do jeito que eu fui dormir cansado, meu sono poderia ter ido fácil até o meio-dia. Me arrumei rápido, e voei para a rua para pegar o primeiro taxi que aparecesse para chegar à estação ferroviária. Eu não poderia perder de jeito nenhum o trem das 9:20 para Bucareste, pois era o único que servia para mim. Os outros eram tarde demais, e eu perderia meu voo para Tel Aviv.

O taxi para a estação ferroviária custou no taxímetro apenas 6 lei (R$3,75). Tudo bem que a distância era pequena (uns 2Km), mas não me lembro de pago na vida uma corrida de taxi tão barata como essa. Agora eu vi como fui roubado na outra corrida da estação até o hostel (20 lei), quando cheguei a Braşov.

Passagem comprada a tempo ! Fiquei aliviado. Custou 47 lei (R$30).

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Deu tempo ainda de comprar um lanche na estação ferroviária.

La revedere, Transilvania !

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O trem desta vez estava vazio e era bem melhor que o outro que peguei de Bucareste para Braşov. Era mais rápido e fez menos paradas. No meio do caminho, entrou um mendigo deficiente físico que passou pedindo esmola para os passageiros. Ele tomou o maior esporro do fiscal, que o fez descer na estação seguinte. O trajeto até Bucareste durou cerca de 3h.

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Chuva o tempo todo durante o trajeto. Peguei o metrô para a Piata Unirii, onde desci debaixo de chuva.

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Peguei o ônibus para o aeroporto (1h de viagem). O bilhete (8 lei = R$5) é vendido num guichê em frente ao ponto na própria Piata Unirii. Tem que comprar o bilhete antes de embarcar. Durante o trajeto, tem um fiscal que confere o bilhete dos passageiros.

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Almoço no aeroporto num self-service (31 lei = R$19). Salada e borsh (parece uma lasanha, mas de repolho e carne).

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45 min de voo até Istambul, onde fiz conexão:

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Mais 1:20h até Tel Aviv:

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Na imigração em Tel Aviv, a policial me fez um monte de perguntas: o que eu ia fazer em Israel, para que cidades iria, de onde vim, quanto tempo eu iria passar em Israel, quanto tempo passei em cada um dos destinos antes de chegar em Israel... depois ela pegou o interfone e falou alguma coisa em hebraico com alguém que devia ser o superior dela. Do que ela falou, só entendi “Romania”. Ela deve ter falado algo do tipo “tem um brasileiro louco que foi ver vampiro na Romênia...posso liberar ou não ?”Pronto, eu já estava me preparando psicologicamente para ir para “a salinha”. Entretanto, para minha surpresa, ela me devolveu o passaporte com o cartão de imigração e me liberou. Todo mundo que eu conheço que esteve em Israel foi chamado para ser sabatinado na salinha. Dei sorte.

Saquei alguns shekels (dinheiro israelense):

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Escultura do Menorá (símbolo do judaísmo) no saguão de desembarque do aeroporto:

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Peguei um trem no aeroporto para ir para o centro de Tel Aviv. Meio caro (15 shekels = R$9)



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Depois de apenas 10 min, o sistema sonoro do trem anunciou a chegada na estação “Tel Aviv HaHagana”. Desci nela. Para chegar até o hotel (na praia), não dava para ir a pé (dá uns 3 km). Tel Aviv não tem sistema de metrô, e não tinha a menor idéia de como fazia para pegar um ônibus. Tive que pegar um taxi. Entrei num que estava parado em frente à estação. Falei pro taxista o nome do hotel, e o nome da rua, mas ele falou que não conhecia. O hotel fica de frente pro mar, na Trumeldor Beach. Como que ele não conhece a rua que fica de frente pro mar ? Mostrei o papel com o nome do hotel e o nome da rua, e ele falou num inglês precário que não conhecia. Achei aquilo meio esquisito. Eu já estava achando que ele estava fingindo não conhecer, para ficar dando volta pela cidade comigo tentando encontrar “a tal praia”. Peguei minha bagagem (que estava junto comigo no banco de trás) e saí do taxi. O taxista ficou louco atrás de mim. Ele saiu do taxi e ficou querendo me convencer a ir com ele. Inventei uma desculpa, falei que ia ligar para um amigo me buscar, e que era melhor ele não perder o tempo dele comigo. Ele foi embora, e eu tentei parar outro taxi na rua, já que não tinha mais nenhum parado em frente à estação. Só passava taxi ocupado. Depois de uns 10 min, parou um taxi. Adivinha quem era ? O mesmo taxista ! Ele achou que eu não fosse lembrar da cara dele, mas nem entrei no taxi. Falei que não queria ir com ele, e ele foi embora xingando alguma coisa em hebraico. Resolvi tentar parar um taxi em outro lugar para fugir desse taxista que já estava torrando meu saco. Andei pelo quarteirão da estação, e imediatamente meu Perrengue Detector® entrou em alerta máximo. O local era sinistro demais. A rua ficava debaixo de um viaduto, e só via imigrantes árabes e africanos. Ficava todo mundo me olhando. Eu era o único branco, de mochilão, com cara de perdido, e muitos shekels na carteira. Depois de alguns minutos, percebi que não tinha perigo de assalto. Se fosse para ser assaltado, já teria sido. O lugar era só “visualmente assustador”. Meu instinto de sobrevivência brasileiro estava acostumado a evitar lugares como esse. Tentei relaxar. Parei outro taxi. Falei o endereço. O taxista disse “sorry, no English” e foi embora. Parei o terceiro taxi. Quando o carro parou, vi que tinha outra pessoa dentro. Como assim ?! Vou dividir taxi com que eu não conheço às 23h num lugar esquisito como aquele ? Falei que não queria, e o taxista foi embora xingando. Depois só passava taxi ocupado. Só depois de uns 20 min consegui um vazio, e que conhecia o endereço. Finalmente !! A corrida saiu bem cara, 44 shekels (R$27) para andar uns 3 km. Comecei a perceber que Israel é um país caro.



Depois que cheguei no hotel, tomei um banho e saí para comer alguma coisa. Não achei nenhum restaurante aberto por perto, mas comprei um pacote de biscoitos e uma água num mercado 24h perto do hotel. Custou 26 shekels (R$16), uma facada !! Tava mal acostumado com os preços baixos do leste europeu.

Sentei num banco no calçadão da praia para comer. Estava uma noite quente, mas a brisa do mar estava agradável. Tinha bem pouca gente no calçadão. Já era 1h da manhã.

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Voltei pro hotel e fui pro berço.

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