[Mochilão 9] Dia 21: Lviv - Veneza

Estava meio frio quando acordei. Fiquei enrolando debaixo do cobertor até 10h antes de levantar.

Falei “Dobry vetcher” para as recepcionistas ucranianas sem saber que estava dando boa noite, em vez de dar bom dia ! hehehe. Elas me corrigiram prontamente: “dobry ultra”.

Último dia na Ucrânia. Dei mais uma volta pela cidade. Lviv me faz lembrar Bratislava, a capital da Eslováquia. É a típica cidade do leste europeu ainda não invadida pelo turismo de massa, com preços baixos, boa comida e mulheres bonitas aos montes nas ruas. Vale ressaltar que Lviv não tem tantas atrações turísticas como Praga ou Budapeste por exemplo. Dá pra ver tudo num dia só. Mesmo assim, gostei bastante de ter conhecido esta cidade.

Torre de pólvora:

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Restaurante com mesas na calçada:

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Um mercado popular onde vendia-se de tudo:

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Percebi uma coisa curiosa: um monte de vans e micro-ônibus desfilavam pelas ruas com uns galhos pendurados. Será que é alguma supertição, ou talvez algo com motivo religioso ??

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Almoço no tradicional Puzata Hata, e não podia faltar um chope Lvivske pra acompanhar ! A maneira como as pessoas enchem a caneca na chopeira é engraçada: deixam metade chope, metade espuma, e depois ficam tirando a espuma com uma colher. Completam com mais chope e mais espuma, e tiram a espuma com a colher, repetindo o processo umas 5 vezes até a caneca encher sem espuma nenhuma.

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Bem-vindo ao “SARDIM” DA CERVEJA...ehehhe. De olho na Eurocopa, colocaram o cartaz também em português, porque Portugal joga contra a Alemanha e Dinamarca aqui.

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Hora de dar adeus para a Ucrânia e partir pro aeroporto rumo a Veneza. Busquei minha bagagem no albergue e peguei um taxi na rua. Era um Lada muito velho cheirando a gasolina. O motorista não falava inglês, mas pelo menos entendia o suficiente para negociar a corrida, que saiu por 60 hryvnias (R$15).

O terminal internacional do aeroporto de Lviv, recém-inaugurado para a Eurocopa:

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Só tinha uma lanchonete nesse terminal, e não tinha nada de interessante pra comer. O terminal era pequeno, mas estava fortemente policiado. Toda hora passavam guardas com cara de poucos amigos olhando pra todo mundo.

Fui vender numa casa de câmbio as 280 hryvnias (R$70) que tinham sobrado na minha carteira. A atendente não falava inglês, e estava me pedindo alguma coisa que eu não estava endendendo. Dei meu passaporte, mas não era isso que ela queria. Ela me mostrou um recibo de caixa eletrônico, e ficou arranhando um inglês incompreensível, mas o suficiente para entender que eu tinha que apresentar o recibo do caixa onde eu fiz o saque das hryvnias. Caramba...que pegadinha ! Quem guarda esses recibos ? Ninguém, né ? Eu pelo menos jogo sempre fora. Não havia possibilidade de trocar o dinheiro por euros ou outra moeda qualquer sem esse recibo. A esperança é que alguma casa de câmbio em Veneza ou na Espanha aceite hryvnias, o que eu acho difícil... o pior é que não tinha em que gastar esse dinheiro no aeroporto. Nenhuma loja de souvenir, free shop...nada, apenas uma lanchonete bem chinfrim.

A fila do checkin era uma bagunça. Na verdade, as pessoas não formaram fila. Iam simplesmente passando na frente das outras, e ninguém ligava. Uma beleza. Cartão de embarque escrito a mão. Na hora de embarcar, a mesma zona. E pra piorar, o vôo não tinha assento marcado, então as pessoas estavam desesperadas pra entrar logo e pegar os “melhores” lugares.

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O vôo da Wizzair (empresa low-fare ucraniana) até Veneza durou 1:30h. O avião estava lotado de ucranianos, e alguns poucos italianos. Na decolagem e na aterrisagem, todo mundo batendo palma...

Como a Ucrânia não faz parte do Tratado Schengen (livre circulação de pessoas em certos países da Europa), passei novamente pela imigração, mas não precisei responder nenhuma pergunta.

Foi uma sensação boa voltar a entender tudo depois de 20 dias de analfabetismo total :)

Passei apenas uma noite em Veneza. Coloquei esta cidade no roteiro por motivos logísticos. Foi a opção mais viável para ir de Lviv para Barcelona, pois não há vôos diretos entre estas cidades.

Já estive em Veneza em 2005, mas não pernoitei na cidade. Passei apenas algumas horas, o suficiente para conhecer o principal. Desta vez tinha chegado de noite e precisava dormir por lá.

O aeroporto onde cheguei não ficava exatamente em Veneza, mas em Treviso, a 1h de ônibus de distância. O ônibus custou 7 euros.

Depois de tantos albergue, preferi pegar um hotel bom. Mereço, né ? Para uma noite só, não faria tanta diferença gastar 30 euros num albergue ou 50 euros num hotel. O problema é que os hotéis em Veneza são caríssimos. Por isso mesmo, fiquei num hotel em Mestre, cidade vizinha com preços muito mais em conta. Fiquei num hotel chamado Alveri, novinho em folha, por apenas 52 euros. Muito bom. O problema é que ficava a quase 2 km de distância da estação de trem, onde desci do ônibus do aeroporto. O hotel ficava no meio do nada, literalmente. Não tinha ninguém na rua. O caminho era bem estranho, passando por baixo de um viaduto e por terrenos baldios. Se fosse no Brasil, acho que teria um pouco de medo de andar sozinho por ali, mas aqui quanto a isso é bem tranquilo.

O caminho deserto até achar o hotel:

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Finalmente encontrei !!

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O quarto:

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A temperatura estava bem mais alta que na Ucrânia. Deu pra ficar sem casaco na rua, e até liguei o ar condicionado no quarto.

Tomei um banho e saí pra comer alguma coisa. Estava morrendo de fome e já eram quase 11 da noite.

Nas proximidades do hotel não tinha nada. Nenhum restaurante ou lanchonete. Tive que voltar até a estação de trem. 20 minutos de caminhada (andando rápido).

Consegui achar um restaurante chamado La Dolce Vita perto da estação. Estava olhando o cardápio da porta, quando saiu uma garçonete (linda) pra me falar algo. Já até imaginava... Era bom demais pra ser verdade um restaurante aberto aquela hora. Eles já deviam estar fechando, pensei. “È chiuso ?” (está fechado ?), perguntei. Ela respondeu que já estavam fechando, mas que eu poderia “mangiare qualcosa di veloce” (comer algo rápido) Então tá, uma pizza bem italiana...nada mal, heim !

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Custou apenas 7 Euros a pizza que escolhi, de prosciutto com funghi.

Enquanto jantava, entrou no restaurante um imigrante africano caindo de bêbado e gritando coisas numa língua estranha. Ficou todo mundo olhando espantado. Os funcionários do restaurante olhavam para ele indiferentes, como se já estivessem acostumados àquela cena. A Itália é um dos países que mais recebe imigrantes africanos (ilegais, na maioria) que atravessam o Mediterrâneo em embarcações precária em busca de uma vida melhor.

Consegui me comunicar 100% do tempo em italiano aqui. E entendi TUDO ! Fiquei orgulhoso de mim mesmo, pois não praticava nada desde os tempos que estudava esse idioma em 2008.

Mais 2 km de caminhada (já me arrastando pelas calçadas) até o hotel, e dormi muitooooo.

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