[Mochilão 9] Dia 1: Rio - Copenhague

E aí, pessoal ? Estou aqui de volta escrevendo no blog, 1 ano depois !! Como o tempo voa ! Chegou o momento de partir rumo a mais uma grande aventura ! Está começando o Mochilão 9: "Missão Sushi" !!! Nos próximos 26 dias vocês vão viajar junto comigo e se divertir com as minhas loucas histórias láaaaa do outro lado do mundo. Vou levar meu notebook na viagem, e espero conseguir publicar notícias com frequência.

Meu roteiro dessa vez será um tanto quanto eclético: Dinamarca, Japão, Ucrânia, Itália e Espanha. Quatro países tão distintos entre si, que praticamente se complementam.

Desta vez não consegui tirar férias junto com nenhum amigo, e por isso ficarei a maior parte da viagem sozinho. Pelo menos, eu vou me encontrar em Barcelona no final da viagem com 4 amigos aqui do Rio (Sascha, Humberto, Ricardinho e Fabinho) e uma amiga catarinense, a Jô, que está morando lá um tempo. De lá, vamos pra Madri, de onde eu volto pra casa e meus amigos seguem viagem.

A viagem começa com duas noites em Copenhague, a bela capital dinamarquesa, terra dos vikings, dos biscoitos amanteigados, dos preços exorbitantes e das loiraças.

O longínquo Japão, um sonho antigo, é a próxima escala da viagem. É o ponto mais distante que um brasileiro pode visitar sem sair do planeta. Está exatamente do outro lado do mundo, com 12 horas de fuso a mais. Como diz Luis Fernando Veríssimo no livro "Traçando Japão" : "É um engano achar que você desembarca em Tóquio no dia seguinte. A sensação é a de desembarcar no século seguinte". Este livro, aliás, é imperdível para quem pretende conhecer o Japão um dia. A região metropolitana de Tóquio é a maior concentração urbana do mundo, com mais de 30 milhões de habitantes. Uma cidade que consegue unir, como nenhuma outra, o moderno com o tradicional. Fiquei impressionado com a quantidade de atrações da cidade ao ler o guia que comprei. Não imaginava que tivesse tanta coisa interessante. Por isso mesmo, reservei 6 noites só para ela.

Um vídeo muito interessante chamado “Japão, um país estranho”:



Em Tóquio, pego o Shinkanzen (trem-bala) para Kyoto, uma das cidades mais bonitas do país, antiga capital imperial (até o século 19), também conhecida como a cidade dos samurais. A região de Kyoto tem cerca de 1.600 (!!) templos budistas e 400 santuários xintoistas. O xintoísmo é uma religião japonesa que venera deuses ligados a força da natureza, como sol, mar, terra, fogo, etc.

A terceira e última escala no Japão será Hiroshima, conhecida mundialmente pelo triste episódio da explosão da bomba atômica lançada pelos americanos no final da 2a Guerra Mundial, em 1945. Hoje é uma cidade moderna e cheia de vida, um verdadeiro símbolo do poder de reconstrução e recuperação do povo japonês. O Japão era uma nação arrasada depois da 2a Guerra, mas assim como a Alemanha, recuperou-se rapidamente, com grande ajuda econômica dos americanos. Viveu até os anos 90 o chamado "Milagre Japonês", com crescimento econômico comparável ao da China de hoje, e tornou-se a 2a maior economia do mundo, atrás apenas dos americanos. Desde o estouro de uma bolha imobiliária e financeira há 20 anos, o Japão é uma economia estagnada, e foi ultrapassada há pouco tempo pela China.

Há algumas semanas, providenciei o visto no consulado do Japão no Rio. Tive que pagar uma taxa de R$60,00, preencher um formulário com dados pessoais, roteiro da viagem e endereços dos lugares onde vou me hospedar. Tive ainda que apresentar as passagens aéreas. O funcionário só perguntou se eu ia viajar sozinho, e para onde eu viajaria depois do Japão. Ficou pronto em apenas dois dias. Achei o processo bem tranquilo, sem falar que não tinha ninguém na fila para ser atendido. Uma diferença enorme se comparar com o consulado americano !!

O Japão será, gastronômicamente falando, um grande desafio pra mim. Quem me conhece, sabe que não sou nem um pouco chegado a peixe cru com arroz. Eu sei que é saudável, e inclusive já experimentei algumas vezes, mas não adianta, não consigo sentir a menor atração por isso. A boa notícia é que a cozinha japonesa está longe de ser apenas sushi, sashimi e temaki. O guia que eu comprei tem uma página com um monte de pratos diferentes, e uns macarrões com uma cara boa (não são yakisoba). Vamos ver.

Outra coisa que me motivou e tornou viável minha visita ao Japão foi ter encontrado uma passagem bastante barata saindo da Europa. Paguei pelo trecho Copenhague-Moscou-Tóquio / Tóquio-Moscou-Kiev apenas R$1.323,00 (REAIS...e não dólares !) na empresa aérea russa Aeroflot. Esta tarifa é promocional e só consegui esse preço porque comprei com 3 meses de antecedência. Considerando que os trechos Rio-Madri-Copenhague e Madri-Rio eu tirei com milhas, meus gastos com passagens nessa viagem serão incrívelmente baixos !

Alem de ter dado a sorte de ter encontrado uma passagem barata, dei sorte também com a data que escolhi para conhecer Tóquio. Descobri que vou chegar justamente no final de semana em que é comemorado o Sanja Matsuri, um dos principais festivais religiosos da cidade. Os matsuris são na verdade um misto de celebração com procissão religiosa. Talvez uma mistura louca de carnaval com Círio de Nazaré à moda oriental. Coisa de 2 milhões de pessoas pelas ruas próximas ao templo Senso-ji, o principal de Tóquio. Outro fator de sorte: descobri que o albergue onde vou me hospedar fica localizado a apenas uma quadra da entrada deste templo ! Acho que para mim, a sensação vai ser equivalente à de um japonês desembarcando no meio de um bloco de carnaval do Rio ou de Salvador. Em outras palavras, uma experiência única !

A parada seguinte é a misteriosa Ucrânia. Algo me diz que será a grande surpresa da viagem. Muitos me perguntaram: "Mas o que tem pra ver lá ? Chernobyl ? Radiação ? Cidades fantasmas ?" Incrível como o desconhecimento leva ao preconceito. Já tem um tempo que eu queria visitar este país, mas a exigência de visto para turistas brasileiros acabava me desanimando. Quando soube no ano passado que essa exigência foi revogada, não pensei duas vezes em incluir o país no meu roteiro. Como já conheço boa parte da Europa (incluindo o Leste Europeu), a Ucrânia é a bola da vez. Passei um bom tempo procurando um guia sobre o Leste Europeu que tivesse países "alternativos", fugindo um pouco do turismo de massa à la "Praga-Viena-Budapeste", mas eu simplesmente não encontrei um guia assim em lugar nenhum !! Tive que comprar na Amazon, onde encomendei o excelente Lonely Planet Eastern Europe, considerado a "biblia" dos mochileiros no Leste Europeu. Tem TUDO, até lugares pra lá de exóticos como Belorússia, Kosovo, Albânia e Moldávia. Esse guia foi um verdadeiro achado, e me deu dicas preciosas na minha viagem no ano passado, quando passei pela Croácia, Bósnia, Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia, Finlândia e Rússia. Acho que sem o "tijolão" eu teria ficado totalmente perdido !!

Passo 3 noites em Kiev, a capital ucraniana, que tem uma das melhores noites da Europa. Depois pego um trem cruzando o país até Lviv, que é considerada a “Nova Praga”, mas ainda não foi descoberta pelo turismo de massa. O Lonely Planet descreve Lviv assim: "You'll be extremely glad to have arrived in Lviv, Ukraine's loveliest city (...) Best of all, despite the extraordinary architectural wealth here, tourists remain a small minority, even in the Unesco World Heritage-listed Old Town in midsummer". Hmmmm...nada mal, heim ? A cidade fica bem próxima a fronteira com a Polônia, e por isso mesmo, muita gente por lá fala inglês, ao contrário do que acontece em Kiev. A Ucrânia tem ainda muitas outras atrações, como Yalta e Odessa, cidades às margens do Mar Negro que disputam o título de "Ibiza Ucraniana", e ficam lotadas no verão, com muitas festas. A moeda ucraniana, a hryvnia, é a 2a mais desvalorizada do mundo (perdendo apenas para a rúpia indiana), segundo o Indice Big Mac (criado pela revista britânica The Economist para comparar o custo de vida de diversos países do mundo). Isso obviamente traz preços pra lá de atraentes para nós brasileiros, já acostumados a pagar caro por praticamente tudo.

Acredito que Kiev e Lviv estarão bem cheias, pois ambas terão jogos da Eurocopa, que começa apenas 3 dias depois de eu ir embora. Os preços de alguns albergues de ambas cidades disparam a partir do início de junho. Foi difícil achar algum lugar barato para ficar, principalmente em Lviv. A maioria triplica de preço a partir de junho.

De Lviv, pego um voo direto para Veneza. Como assim Veneza ?! Sim... a princípio esta cidade não estava nos meus planos, mas descobri uma passagem aérea bastante barata saindo de Lviv pra lá, e decidi passar uma noite na "Città più bella del mondo" ! Estive em Veneza em 2005 durante apenas algumas horas, e foi paixão a primeira vista. Nunca vi nada parecido. É como voltar a Idade Média. Os olhos parecem não quererem acreditar no que vêem. É como entrar numa pintura medieval, ou como estar num filme de época. Sempre ouvia muitos dizendo que "é uma cidade pra ir acompanhado, nunca sozinho", ou, "é horrorosa, fede a esgoto". Na época eu era mochileiro estreante, e ainda não sabia que viajar também serve para derrubar preconceitos. Acabei incluindo Veneza no meu roteiro apenas "de passagem", chegando de trem de Florença. Eu tinha apenas 7h para conhecer alguma coisa da cidade, pois tinha um voo marcado para Amsterdam no mesmo dia. Me arrependi profundamente de não ter passado mais tempo lá, e prometi pra mim mesmo que voltaria um dia com mais tempo para conhece-la melhor. Esse dia está chegando !!!

A penúltima parada é Barcelona, a capital catalã, terra de Gaudi, um dos balneários mais badalados do Mediterrâneo e uma das melhores noites da Europa. É uma espécie de cidade-inspiração para o Rio atualmente, com uma história parecida (guardadas as devidas proporções). Barcelona era uma cidade degradada antes dos Jogos de 1992, mas sofreu uma transformação profunda, conseguiu dar a volta por cima, e hoje é tudo aquilo que o Rio sonha ser um dia, num futuro distante (ou não), após os Jogos de 2016. Já estive na cidade em 2005, mas conheci pouco da noite de lá. Desta vez será diferente. Vou encontrar com amigos aqui do Rio lá e com certeza vamos sair todas as noites !! Alugamos um apartamento de 3 quartos próximo a famosa Las Ramblas (que é o pico, a "Lapa de Barcelona"), e saiu pelo mesmo valor que pagaríamos para ficar num albergue qualquer com um monte de gente no quarto: 30 euros (R$75) a diária para cada um, um preço ótimo !! Vai bombar !!!

Após 3 dias de muita festa, pegamos o trem-bala rumo a Madri, minha segunda casa, onde me sinto totalmente "local". Será a minha 4ª vez na cidade. Tenho apenas uma noite lá, e no dia seguinte, c'est fini... volto pra casa ! Todo carnaval tem seu fim !!!

Este é o roteiro da viagem:

16/mai Rio-Copenhague
17/mai Copenhague
18/mai Copenhague
19/mai Copenhague-Tóquio
20/mai Tóquio
21/mai Tóquio
22/mai Tóquio
23/mai Tóquio
24/mai Tóquio
25/mai Tóquio-Kyoto
26/mai Kyoto
27/mai Kyoto
28/mai Kyoto-Hiroshima
29/mai Hiroshima
30/mai Hiroshima-Tóquio
31/mai Tóquio-Kiev
01/jun Kiev
02/jun Kiev
03/jun Kiev-Lviv
04/jun Lviv
05/jun Lviv-Veneza
06/jun Veneza-Barcelona
07/jun Barcelona
08/jun Barcelona
09/jun Barcelona-Madri
10/jun Madri-Rio

O mapa da viagem:

Uma pequena amostra dos lugares por onde vou passar:

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Muita gente me pergunta como consigo arrumar tempo pra publicar tantas coisas no blog enquanto viajo. Na verdade não deixo de fazer nada durante minhas viagens para ficar na internet escrevendo no blog. Tento apenas otimizar meu tempo. Por exemplo, aproveito enquanto estou no aeroporto esperando algum vôo, ou durante as longas viagens de trem, pra escrever os textos e baixar as fotos da câmera pro meu notebook, mesmo que esteja sem conexão wi-fi. Para isso é fundamental uma bateria que aguente pelo menos umas 4 horas sem carga. Quando chego em algum lugar com wi-fi, como num hotel ou albergue, só gasto uns poucos minutos pra subir os textos já prontos e as fotos pro site do blog. A vantagem de escrever e publicar tudo quase “em tempo real”, ou com alguns poucos dias de atraso, é que os fatos estão todos frescos na minha cabeça. Em viagens como essa os dias são muito intensos, com muitas experiências diferentes, coisas engraçadas, micos e momentos sublimes, daqueles pra guardar pro resto da vida e contar pros netos. Se eu deixasse pra escrever tudo no final da viagem, muitos detalhes eu acabaria esquecendo. Costumo dizer que 1 mês de mochilão equivale a 6 meses “normais”, no que diz respeito a aprendizado, novas experiências e novas pessoas que você acaba conhecendo.

Olhei a previsão do tempo agora e tá maior friaca lá Copenhague... 8 graus !! Isso na primavera ! Imagina no inverno !!

Agora, se me dão licença, é hora de "meter o pé". Aguardem o próximo post, escrito diretamente da terra dos biscoitos amanteigados e das loiraças !!!

Partiu pro Galeão ! FUI !

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