[Mochilão 2] Dia 19: Roma - Florença

Às 5 da manhã, o despertador tocou e dei um pulo da cama. Não conseguia achar o botão pra fazer ele parar, e ele ficou tocando durante uns 30 segundos, tempo suficiente pra acordar o quarto inteiro. O engraçado é que esse despertador não tocava aquele alarme irritante, e sim com um galo cantando. Na verdade não sei qual dos dois é o pior. Os gringos que estavam no meu quarto não entenderam nada, e ficaram resmungando palavras incompreensíveis.

Arrumei minhas coisas e parti pra estação de trens Termini, a principal de Roma, que ficava a poucas quadras do albergue. Ainda estava escuro.

Esse é o trem que peguei pra Florença, o Eurostar, que é o trem-bala italiano. A viagem até Florença demorou 1:30H e o trem viajava a cerca de 250Km/h.

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Cheguei a estação de trens Santa Maria Novella, de Florença, às 8:30 da manhã. Logo em frente a estação estava a linda basílica de Santa Maria Novella:

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O albergue (Firenze Inn) ficava a cerca de 10 quadras de distância da estação, e fui andando. No caminho passei por lugares turísticos, como a Piazza della Signoria. O albergue ficava na Via del Corno (???), uma rua estreita de paralelepípedos colado ao Palazzo Vecchio. Logo ao entrar na rua, avistei a placa indicando a entrada do albergue, que ficava num sobrado antigo. Subi a escada e cheguei na recepção. O albergue era uma ZONA, parecia uma boate. Fiquei plantado uns 20 minutos na recepção e não tinha ninguém pra me atender. A recepção era um vai e vem constante de gringos caindo de bêbado, com música ao volume máximo. Na verdade, não sabia se aquela galera estava voltando da noitada, ou se eles tinham acabado de acordar e já estavam tocando o zaralho. Só sei que eu já estava ficando sem paciência. Sentou uma menina na cadeira da recepção, e perguntei se ela trabalhava ali. "No, I'm just checking my e-mails.", ela respondeu. Perguntei pra ela onde estavam os recepcionistas e ela não sabia dizer. Mais alguns minutos, e chegou um cara mais velho, que parecia trabalhar no albergue, mas ele ficou zoando com os gringos e não me deu muita atenção, mesmo com a minha cara de "acabei-de-chegar". Perguntei pra ele se ele era funcionário do albergue, e ele respondeu que sim. Alguém pra fazer o meu checkin, finalmente. Perguntei onde era o meu quarto, e ele disse que o albergue estava mudando para o sobrado da frente (?) e que era para eu deixar minha mochila lá junto com as outras (???). Po, como assim ?! Eu já estava pensando em mudar de albergue, mas como só dormiria uma noite em Florença, achei que daria muito trabalho ficar procurando vaga em outro albergue, e resolvi enfrentar aquela zona mesmo. Deixei minha mochila lá e resolvi que passaria o minimo de tempo possível naquele pulgueiro.

Primeira volta pela cidade. Logo ao lado do albergue estava a Piazza della Signoria, com o Palazzo Vecchio:

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Este palácio é a prefeitura da cidade, e tem um museu dentro dele. Este é um dos salões do museu:

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Achei Florença bem diferente de Roma. Florença é a cidade das artes, berço do Renascimento, terra de Michelangelo, Leonardo da Vinci , Dante e Galileo Galilei. Roma é o berço do Império Romano, cidade-museu que respira história, onde se esbarra com uma ruína de 2000 anos a cada quarteirão. Achei Florença mais organizada que Roma, e os fiorentinos são um pouco mais reservados e menos ruidosos que os romanos.

Florença é a capital da Toscana, região da Itália conhecida pelos ótimos vinhos e boa gastronomia.

Esta é a catedral ("Duomo") de Santa Maria del Fiore, uma das igrejas mais bonitas que já vi. A fachada é um mosaico feito de mármores. É tão bonita, que na praça em frente a igreja é comum ver grupos de estudantes de arquitetura gringos tentando reproduzir a imagem dela em pranchetas.

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Este é a Ponte Vecchio, do século 13, cortando o Rio Arno. Esta é a única ponte de Florença que sobreviveu intacta a Segunda Guerra Mundial. Ela tem várias lojas de souvenirs ao longo dela.

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O Museu di Storia Della Scienza tem uma mostra bem interessante de desobertas e inventos dos gênios do Renascimento, como Galileo Galilei.

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Ao sair do museu, comi uma lasanha deliciosa num pequeno restaurante perto da estação de trens. Peguei um trem para Pisa, uma viagem de apenas 1 hora. Pela janela do trem, observava a paisagem linda da Toscana, com vinhedos a perder de vista.

Em Pisa, passei novamente pelo Rio Arno, que corta também Florença:

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Após algumas quadras, eis que surge ela, magnífica, diante dos meus olhos incrédulos: a Torre di Pisa !!! Fiquei paralizado durante alguns segundos obsevando a torre, que rivaliza com o Coliseu como o principal cartão postal da Itália. E o mais incrível: a torre é torta mesmo !!!

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A entrada da torre:

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A torre foi construída de 1174 a 1350, tem 56m de altura e 5 graus de inclinação. Cabos de aço atados a fachada de mármore mantêm a sustentação da torre.

As pessoas podem subir na torre em grupos pequenos (de cerca de 20 pessoas). A subida é feita por uma escada de mármore, que de tão antiga, já estava com os degraus gastos por causa das pisadas das pessoas.

Uma coisa engraçada é que a escada é circular, e como a torre é torta, dá pra sentir a inclinação a cada "girada" feita na escada.

A vista no topo da torre é muito bonita:

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O Batistério visto de cima da torre:

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A inclinação da torre fica clara nesta foto tirada no topo dela:

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Pisa não tem muito o que ver além da torre. Peguei o trem de volta pra Florença e cheguei a noite.

O albergue estava uma zona maior ainda. Música nas alturas, neguinho tocando o zaralho e tomando todas. Eu poderia abstrair o cansaço, me socializar com a galera e me juntar a festa, mas por ter dormido só 5 horas na noite anterior, eu estava cansado demais pra isso. O que eu mais queria era um canto silencioso pra dormir.

Busquei minha mochila no sobrado em frente, e perguntei pro funcionário onde é que eu dormiria, já que os quartos estavam uma bagunça e eu não estava vendo cama disponível. "Wherever you want", ele respondeu. Ótimo, pensei eu, wherever I want. Escolhi a primeira cama que vi pela frente, sem querer saber se já tinha dono. Larguei minhas coisas lá e fui tomar um banho. O albergue só tinha dois banheiros minúsculos e imundos. Tive que esperar 3 pessoas tomarem banho antes de mim. Fechei a porta, mas o barulho da música não diminuiu nem um pouco. No quarto só tinha duas pessoas: uma americana gorda na cama de baixo no beliche onde dormi, e um outro cara, que vomitou no chão pouco depois que eu entrei no quarto. A noite prometia ser infernal. A americana me deixou mais tranquilo: "Don't worry, I don't fart". Que bom, pois dormir num quardo com cheiro de vômito misturado com o de flatulências americanas realmente não seria nada agradável. Felizmente o cansaço jogou a meu favor, e eu desmaiei em poucos minutos.

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