[Mochilão 1] Dia 12: San Pedro de Atacama

Acordei com o "comissário de bordo" abrindo as cortinas das janelas e trazendo o nosso café da manhã. O ônibus não iria parar mais até o destino final, simplesmente porque não havia onde parar. Era tudo deserto. E era verdade, olhando pela janela, parecia que estávamos num outro planeta. Só havia areia e pedra. Nenhum sinal de vida.

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O céu era de um azul profundo que impressionava. Nenhuma nuvem. Estávamos no lugar mais árido do planeta. Em nenhum lugar do mundo chove tão pouco como lá. Tamanha aridez é causada pela corrente de Humboldt, que esfria as águas do Oceano Pacífico, e não permite que nuvens úmidas consigam chegar às altitudes elevadas do deserto.

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San Pedro de Atacama fica a 2.400m de altitude e é quase um oasis no meio da imensidão de pedra e areia do deserto. O ônibus fez uma parada na cidade de Calama, depois finalmente chegamos a San Pedro de Atacama, por volta do meio-dia. Ao descer do ônibus, a primeira surpresa: não estava quente ! Sempre imaginamo o deserto como aquele lugar insuportavemente quente, mas faziam agradáveis 20 graus. Isto é porque estávamos no inverno, pois no verão aquela região fica realmente quente. Fomos procurar um albergue que haviamos visto no nosso guia. Tudo na cidade era bem simples e rústico. Quase nenhum carro transitando pelas ruas, casas de adobe (feita de barro e palha), ruas de terra, e uma simpática praça com uma igreja do século 16, talvez a mais simples que já tenha visto. Com apenas 3000 habitantes, parecia um pequeno vilarejo perdido no meio do sertão nordestino. Me identifiquei de cara com o lugar, pois era bem autêntico, rústico e pitoresco. Achamos o albergue, que se chamava Residencial Corvarch. A dona nos recebeu, e para nossa surpresa, era brasileira, casada com um chileno. Pagamos apenas 5000 pesos por dia (US$7). Nos apresentou o quarto, e recomendou que economizássemos água ao tomar banho, pois era bastante escassa na região. E ainda avisou que a luz elétrica era cortada as 22H, pois era gerador. Era assim em toda a cidade. Parecia uma volta ao passado. E por isso mesmo, tudo era incrivelmente autêntico. Estávamos vivendo como viviam os atacamenhos. Se no lugar daquele vilarejo, os chilenos tivessem construído uma cidade como Las Vegas, com vários mega resorts, cassinos, etc, etc, não seria nada autêntico. Saimos do albergue e fomos logo numa agência de turismo comprar uns passeios. Fomos conhecer o Valle de La Luna. O lugar realmente nos fazia sentir que estávamos na lua. Não havia nenhum sinal de vida, apenas pedra, areia e céu.

O vulcão Licancabur, dividindo o Chile da Bolívia:

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Os canyons do Valle de La Luna:

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Próximo dali, conhecemos o Valle de La Muerte, que tem este nome devido a falta de vida. Paisagens fantásticas.

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Um dos lugares mais interessantes que visitamos ali foi uma pequena caverna que tem sal revestindo as paredes, provando que aquela região já foi um imenso lago há milhares de anos. Tiramos fotos incríveis em cima de dunas e de formações rochosas, com a imensidão do deserto ao fundo. No horizonte era possível ver a Cordilheira dos Andes com os seus vulcões, que tinham neve no topo, apesar da aridez do local.

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Voltamos pro albergue. A noite, San Pedro consegue ser ainda mais pitoresca. Os geradores são desligados, e a pouca iluminação vem das tochas e lampiões pendurados na ruas. Alguns restaurantes tem áreas ao ar livre, onde colocam fogueiras para os clientes se aquecerem. A temperatura a noite cai para 0 grau. O mais incrível é o céu estrelado. Com a pouca iluminação da cidade, e como as nuvens são raras naquela região, o céu do Atacama é espetacular ! É possível ver as constelações e diversas estrelas cadentes. O Atacama é muito procurado por astronomos e amantes dos astros justamente pelo céu que tem. Fomos tomar uma cerveja e comer algo no Café Adobe, onde conhecemos uma galerinha da França e da Holanda. Encontramos nesse mesmo lugar os paulistas que tinhamos conhecido no albergue em Santiago, fizemos uma social com a galera, mas a noite lá acaba cedo, e por isso voltamos pro albergue.

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